Segundo dia apresentou cinco painéis e a última sessão de comunicações orais
O Fórum de Estudos Olímpicos 2022, que completa 25 anos nesta edição, teve seu prosseguimento neste sábado (5), com a apresentação de cinco painéis com os temas: Protagonismo da Mulher no Âmbito de Gestão; Educação Olímpica e Coubertin; Esporte Paralímpico e Coesão Social; Psicologia do Esporte; e um painel especial: Fórum de Estudos Olímpicos no Brasil – 25 anos.
Ao final do dia, duas Sessões de Comunicações Orais contaram com apresentações de diversos trabalhos com temáticas Olímpicas, que foram avaliados por duas bancas de professores.
Protagonismo da Mulher no âmbito da Gestão
O tema do quarto painel foi “Protagonismo da Mulher no Âmbito de Gestão”, composto pela Profª. Alba Inés Astudillo Molina, da Escuela Nacional del Deporte, da Colômbia; e pela Profª. Lina Marcela Vélez, do Comitê Colombiano Pierre de Coubertin e do Centro Latinoamericano Pierre de Coubertin. O painel foi moderado pela Profª. Bianca Gama Pena, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin.
Alba foi a primeira a apresentar, mostrando um case de um museu esportivo de mulheres e atletas, destacando em sua apresentação Alice Milliat, uma amante e ex-atleta do esporte, que disputou os Jogos Olímpicos. Quando começou a Primeira Guerra Mundial, Milliat lutou pela expansão do esporte feminino, defendendo que as mulheres poderiam praticar tantos esportes quantos os homens. Em sua fala, Alba destacou que “Alice Milliat fundou em 1915 o Clube Feminino de Paris, para promover o esporte entre as mulheres da cidade e, devido ao êxito, criou em 1919, a Federação da Sociedade Feminina de Paris“.
Na segunda fala do painel, Lina, ainda sobre a temática do papel da mulher em posições de liderança e gestão no esporte, disse: “As desigualdades e brechas de gênero no esporte geram maior discriminação na sociedade, sejam por condições éticas, sociais, deficiência, orientação sexual, entre outras”.
Educação Olímpica e Coubertin
O quinto painel foi “Educação Olímpica e Coubertin”, e contou com a participação da Profª. Marta Gomes, da Fundação de Apoio a Escola Técnica e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin; Profª. Auria Coldebella, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin; e a Srª. Clemencia Anaya, da Academia Olímpica Colombiana e do Comitê Olímpico Colombiano. O painel foi moderado pelo Prof. Otávio Tavares, da Universidade Federal do Espírito Santo e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin.
A responsável por abrir o painel foi Clemencia Anaya, que falou sobre o helenismo antigo, fazendo uma menção especial à relação dele com o Olimpismo: “Seu conceito [de Coubertin] de Olimpismo está influenciado pela cultura helênica, o Olimpismo foi idealizado por Coubertin, um homem com visão sobre o mundo, consciente em formar as futuras gerações”.
A segunda a apresentar foi Auria Coldebella, que abordou Pierre de Coubertin e sua importância para a Universidade Regional Integrada do Rio Uruguai. Ela destacou o porquê do legado de Coubertin ser importante mesmo depois de 80 anos de sua morte: “Ele conseguiu trazer aquele ideal Olímpico da Antiguidade, a imortalidade do mundo grego ele conseguiu trazer, mas olhando para frente, além do seu tempo, ele conseguiu ver além”.
A última fala da manhã foi de Marta Gomes, sobre projetos sociais esportivos pautados em valores, desenvolvidos em regiões de alta vulnerabilidade socioeconômica, como as favelas da cidade do Rio de Janeiro: “Decidi trazer para vocês uma síntese desse trabalho que vem desde o início da década de 90, apresentando a implantação de projetos sociais pautados no esporte”.
Gomes também comentou que “o esporte não é neutro“, ao relembrar que na história recente brasileira, o esporte foi e tem sido visto como apolítico. Gomes apresentou uma cronologia dos Estados Olímpicos no Brasil, com eventos, livros e autores da área.
Esporte Paralímpico e Coesão Social
O sexto painel do Fórum de Estudos Olímpicos 2022 foi “Esporte Paralímpico e Coesão Social”, e contou com a participação da Profª. Ester Liberato Pereira, da Universidade Estadual de Montes Claros; Profª. Katherin Laura Molina, da Institución Educativa Alfredo Bonilla Montaño; e o Sr. Fábio Antunes, técnico Paralímpico. O painel foi mediado pela Profª. Eliana Ferreira, da Universidade Federal de Juiz de Fora.
A primeira a falar foi Ester Liberato, com o trabalho: “De Durkheim a Riskalla: Uma abordagem sobre a Coesão Social do Esporte Paralímpico no Brasil Atual”. Na ocasião, ela afirmou: “O esporte paralímpico e a coesão envolvem o pensamento de compreender este esporte como um integrante da sociedade, para refletir sobre o Esporte Paralímpico”.
Na segunda apresentação, intitulada “Deporte y Cohesion Social”, Katherin Molina falou sobre o tema do esporte para todos: “Desde 1983, o Comitê Olímpico Internacional estabeleceu uma linha de esporte para todos. Sua missão consistia em determinar como o Movimento Olímpico poderia promover atividades de fomento”.
Na terceira e última exibição do painel, foi a vez de Fábio Antunes mostrar seu trabalho, “Mundo Paralímpico”. Ele comenta: “Primeiro deve-se pensar em ter o maior número de pessoas inclusas, depois vemos quem tem condições para se tornar um atleta, depois aí sim pensar em um atleta Paralímpico. Tudo começa na inclusão, porque esses atletas, antes de serem atletas, são pessoas que precisam fazer uma atividade física”.
Psicologia do Esporte
O sétimo painel “Psicologia do Esporte”, contou com a participação da Profª. Fernanda Faggiani, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Srª. Laura Moreira León, do Comité Pierre de Coubertin Costa Rica e do Centro Latinoamericano de Estudios Coubertinianos; e Prof. Renato Miranda, da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Fernanda Faggiani foi a primeira a apresentar, sobre “Avaliação e Acompanhamento em Saúde Mental para Atletas Olímpicos Brasileiros Rumo a Paris 2024”. Ela introduziu a pesquisa que vem sendo desenvolvida sobre os impactos que a pandemia tiveram nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, sobretudo na performance dos atletas a partir dos efeitos mentais: “Sabemos que os atletas passam por muitos estressores, os atletas passam por mais de 640 estressores ao longo de suas carreiras, aliada a isso, os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram mais um estressor para esses atletas, que tiveram que passar por uma insegura pausa para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 por cauda da pandemia de Covid-19”.
A segunda painelista foi Laura Moreira León, em seu trabalho: “Psicologia do Esporte e Valores Olímpicos“. Em sua fala, León dissertou sobre a saúde mental: “A psicologia é um processo de construção no esporte, as atitudes, a forma de ser, como compete, como age, tudo isso influencia na saúde mental de um atleta“.
Para fechar o tema, Renato Miranda abordou os “Desafios para uma Psicologia do Esporte“, dissertando sobre a fusão entre ação e atenção: “Ao fluir, o atleta não separa as imagens criadas na mente com a ação que ele tem que executar, ou seja, em última análise, o atleta ao fluir, não pensa no sentido de suas ações, ele apenas as realiza“.
Fórum de Estudos Olímpicos no Brasil – 25 anos
O oitavo painel do dia foi especial, celebrando os 25 anos da primeira edição, quando o evento ainda se chamava Fórum Olímpico. Contou com a presença do Prof. Otávio Tavares, da Universidade Federal do Espírito Santo e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin; Prof. Lamartine DaCosta, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin; Prof. Alberto Reppold Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e membro do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin. Foi mediado pelo Prof. Nelson Todt, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Presidente do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin e membro do Centro Latino-americano de Estudos Coubertinianos.
Em um segundo momento, o Prof. Lamartine DaCosta recebeu o troféu Pierre de Coubertin pelo Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin, como reconhecimento ao desenvolvimento dos Estudos Olímpicos e Coubertinianos nos âmbitos do Brasil e da América Latina.

(Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin).
Sessões de Comunicações Orais
Duas salas foram reservadas para as apresentações de trabalhos por parte de estudantes e pesquisadores, que foram avaliados por bancas compostas de professores da área de Estudos Olímpicos. Na noite de sábado (5), doze trabalhos foram apresentados.